segunda-feira, 18 de abril de 2011
Resultados das inscrições para participação na I Tela - Encontro de Teatro Escolar de Viana do Castelo
Os participantes seleccionados foram:
- Escola EB 2,3/s de Barroselas (Viana do Castelo), com "O 1º Auto de Floripes"
- Escola EB 2,3/s do Pintor José de Brito (Viana do Castelo), com "À Barca, Houlá!" pelo Grupo Innocence
- Escola EB 2,3 Frei Bartolomeu dos Mártires (Viana do Castelo), com "Mandou-me procurar? Passe cidadão!"
- Escola EB 2,3/s de Lanheses (Viana do Castelo), com "Médico à Força" pelo TAAL, Grupo de Teatro Amador de Arga e Lima
- Escola Secundária de Santa Maria Maior (Viana do Castelo), com "Sem Vergonhas" pelo ORTAET_teatro ao contrário
- Escola Secundária de Monserrate (Viana do Castelo), com "Animações Várias"
- Escola Profissional de Fermil (Celorico de Basto), com "A Christmas Carol" pelo Grupo The Story Tellers
- Escola EB 2,3 de Lamaçães (Braga), com "Arlequim e Pierrot" pelo Clube de Teatro EB 2,3 Lamaçães
A todos Parabéns!
I Tela - Encontro de Teatro Escolar de Viana do Castelo
É com enorme prazer que vimos dar a conhecer a TELA – I Encontro de Teatro Escolar em Viana do Castelo, organizado por MAO, com o apoio da Câmara Municipal de Viana do Castelo que irá decorrer de 2 a 12 de Junho de 2011, no Teatro Municipal Sá de Miranda.
TELA pretende promover o encontro de jovens que fazem Teatro na Escola, quer como actividade de carácter extra-curricular, quer como resultado dos trabalhos teatrais efectuados por alunos em disciplinas curriculares associadas a esta expressão artística, como é o caso das Oficinas de Teatro e Oficinas de Expressão Dramática.
Pretendemos incentivar o teatro feito por jovens e para jovens como ferramenta para a formação humana e cultural, fomentando, a criação de espaços para a reflexão e expressão das questões presentes nos jovens de hoje.
Entre o teatro para a infância e o teatro para adultos existe uma lacuna que o teatro para jovens poderia preencher. Afinal, os jovens não se interessam pelo universo infantil e também, na maioria das vezes, não se envolvem com as temáticas abordadas pelo teatro adulto. Conquistar esse público é um desafio que TELA propõe levar a cabo ao pensar no teatro de jovens para jovens.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
"FAMILLE BIZARRE ou um caso não esclarecido" de Ludger Lamers - ESTREIA
ESTREIA - 29.04.2011 - DIA MUNDIAL DE DANÇA - TEATRO MUNICIPAL SÁ DE MIRANDA
FAMILLE BIZARRE ou um caso não esclarecido
TEATRO-DANÇA
24ª PRODUÇÃO DO MAO
ELENCO:
alexandre vorontsov, carlos marques, catarina barbosa, conceição taborda, joana silva, ludger lamers, maria josé miranda, rita moura carneiro, sabahat passos, viviana beenen
O ESPECTÁCULO:
O espectáculo será a apresentação do trabalho final do grupo de artistas que fizeram parte do workshop “Touch Screen” realizado no NCAR, Escola S.Gil, organizado pelo MAO e dirigido por LUDGER LAMERS nos dias 12 e 13 de Fevereiro de 2011 e com mais uma semana intensiva de work on progress entre 22-29 de Abril no Teatro Municipal Sá de Miranda. Assim o espectáculo procura uma linguagem do Teatro-Dança, contaminada pelo Teatro de Objectos, por relações físicas e metafísicas entre sombra e luz. O uso de sonoridades como elementos cénicos identificáveis permite um verdadeiro cruzamento disciplinar numa lógica contemporânea. Procura-se igualmente explorar o Teatro e o acto de representar, privilegiando o lado físico e visual; limitando o uso da palavra para a percepção da narrativa na sua essência, desenvolvendo assim a imaginação do espectador, criando-se uma grande cumplicidade com as personagens, para uma forma diferente de entendimento da “realidade”. O uso de objectos também concorre para a importância da imagem, sobretudo em relação à memória que esses objectos podem evocar. Será, assim, um espectáculo sensorial, o que permitirá que cada espectador faça uma leitura diferente da narração cénica, utilizando as suas referências emocionais. As cenas, carregadas de uma simbologia, permitirão, sem o peso do texto, criar uma poética visual baseando se no movimento e na forma dos corpos - animados ou inanimados. O uso da palavra ou dum conjunto de palavras, tenderá a ser feito num jogo de sonoridades, repetições, reforçando o efeito poético visual, e não como legenda de alguma história com início, meio e fim. A proposta cenográfica terá um valor iconográfico baseado em dois elementos: a casa e o tempo. A partir de elementos, aparentemente abstractos, estimula-se a memória do espectador para o transportar para espaços da memória individual. Da mesma forma que os actores-dançarinos e os objectos animados aparecem como elementos mutáveis de um tempo intemporal, da memória confusa, num não-espaço, que se transforma e transforma tudo a volta. O piano, tocado ao vivo, será parte integrante do espectáculo. Não terá apenas a finalidade de criar música ou sonoridades, pois no palco todos os elementos sem hierarquia, assumem um papel cénico. As luzes, as sombras, os bonecos e os actores iniciarão uma busca comum.
Goethe dizia que o acto teatral era movimento e fala. A sua antítese também é verdade: o silêncio e imobilidade também são teatro. O teatro pode ser encarado de muitas formas, até pode ser um instrumento político ou politização, um meio de diversão ou alienação, ou ainda pode ser encarado simplesmente como arte. Seja qual for a forma, o teatro antes de tudo é um instrumento de comunicação. Assim, partindo de uma ideia original de Ludger Lamers, “FAMILLE BIZARRE ou um caso não esclarecido”, aparece no palco do Teatro Municipal Sá de Miranda, no Dia Mundial da Dança, em torno de uma frase inesquecível “tout peu dancer e tout le mouviment est dance”.
LUDGER LAMERS:
“…a abertura que LAMERS manifesta na sua linguagem coreográfica, sendo aquele o ponto de partida para a confluência de outras expressões artísticas na sua metodologia de trabalho. Esta tendência está igualmente presente a nível conceptual e prático e não a encontramos apenas nas suas próprias coreografias, mas é também visível quando LAMERS actua como bailarino em projectos de outros artistas. Por isso, os trabalhos de LAMERS encontram pontos de partida e de referência na arquitectura ou no cinema, como é possível ver na sua trilogia "Tokonoma", que decorreu entre 2007-2009. Também explora a intersecção entre a dança e o teatro como, por exemplo, enquanto performer na produção de "Appropriation. Parasiten. Krapp's Last Tape" de Sebastian Blasius, notavelmente realizada em 2009.
Visto geralmente em colaboração com outros artistas, LAMERS manifesta, não só uma admirável disponibilidade para este trabalho em equipa, mas também um especial interesse em se entregar a novos domínios e, desta maneira, possibilitar a abertura de caminhos originais para a sua pesquisa coreográfica. O trabalho a solo partindo de um texto é uma parte essencial da sua pesquisa, a par de outros campos, como, por exemplo, instalações baseadas em workshops, análise e questionamento de formas de reconstrução e de representação, interesse no trabalho com o corpo e com a espiritualidade.
Assim, o trabalho de LAMERS testemunha um interesse profundo nos domínios da coreografia e da dança em que o corpo atravessa os limites de um só género de arte, entrando num movimento convergente, compreendendo, desta maneira, a dança como uma investigação em formas diferentes de representação e de apreensão do mundo, em vez de a reduzir a uma forma específica ou a uma simples definição". (Fundamentação do júri. Texto retirado de Newsletter de DGARTES de Ministério da Cultura nº 12 / 9-22 Junho 2010)
FAMILLE BIZARRE ou um caso não esclarecido
TEATRO-DANÇA
24ª PRODUÇÃO DO MAO
COLABORAÇÃO: TEATRO SEXTA | APOIO: CMVC | JUNTA DE FREGUESIA DE PERRE | RÁDIO AFIFENSE | RÁDIO GEICE | QUARTO ENCANTADO
alexandre vorontsov, carlos marques, catarina barbosa, conceição taborda, joana silva, ludger lamers, maria josé miranda, rita moura carneiro, sabahat passos, viviana beenen
O ESPECTÁCULO:
O espectáculo será a apresentação do trabalho final do grupo de artistas que fizeram parte do workshop “Touch Screen” realizado no NCAR, Escola S.Gil, organizado pelo MAO e dirigido por LUDGER LAMERS nos dias 12 e 13 de Fevereiro de 2011 e com mais uma semana intensiva de work on progress entre 22-29 de Abril no Teatro Municipal Sá de Miranda. Assim o espectáculo procura uma linguagem do Teatro-Dança, contaminada pelo Teatro de Objectos, por relações físicas e metafísicas entre sombra e luz. O uso de sonoridades como elementos cénicos identificáveis permite um verdadeiro cruzamento disciplinar numa lógica contemporânea. Procura-se igualmente explorar o Teatro e o acto de representar, privilegiando o lado físico e visual; limitando o uso da palavra para a percepção da narrativa na sua essência, desenvolvendo assim a imaginação do espectador, criando-se uma grande cumplicidade com as personagens, para uma forma diferente de entendimento da “realidade”. O uso de objectos também concorre para a importância da imagem, sobretudo em relação à memória que esses objectos podem evocar. Será, assim, um espectáculo sensorial, o que permitirá que cada espectador faça uma leitura diferente da narração cénica, utilizando as suas referências emocionais. As cenas, carregadas de uma simbologia, permitirão, sem o peso do texto, criar uma poética visual baseando se no movimento e na forma dos corpos - animados ou inanimados. O uso da palavra ou dum conjunto de palavras, tenderá a ser feito num jogo de sonoridades, repetições, reforçando o efeito poético visual, e não como legenda de alguma história com início, meio e fim. A proposta cenográfica terá um valor iconográfico baseado em dois elementos: a casa e o tempo. A partir de elementos, aparentemente abstractos, estimula-se a memória do espectador para o transportar para espaços da memória individual. Da mesma forma que os actores-dançarinos e os objectos animados aparecem como elementos mutáveis de um tempo intemporal, da memória confusa, num não-espaço, que se transforma e transforma tudo a volta. O piano, tocado ao vivo, será parte integrante do espectáculo. Não terá apenas a finalidade de criar música ou sonoridades, pois no palco todos os elementos sem hierarquia, assumem um papel cénico. As luzes, as sombras, os bonecos e os actores iniciarão uma busca comum.
Goethe dizia que o acto teatral era movimento e fala. A sua antítese também é verdade: o silêncio e imobilidade também são teatro. O teatro pode ser encarado de muitas formas, até pode ser um instrumento político ou politização, um meio de diversão ou alienação, ou ainda pode ser encarado simplesmente como arte. Seja qual for a forma, o teatro antes de tudo é um instrumento de comunicação. Assim, partindo de uma ideia original de Ludger Lamers, “FAMILLE BIZARRE ou um caso não esclarecido”, aparece no palco do Teatro Municipal Sá de Miranda, no Dia Mundial da Dança, em torno de uma frase inesquecível “tout peu dancer e tout le mouviment est dance”.
LUDGER LAMERS:
“…a abertura que LAMERS manifesta na sua linguagem coreográfica, sendo aquele o ponto de partida para a confluência de outras expressões artísticas na sua metodologia de trabalho. Esta tendência está igualmente presente a nível conceptual e prático e não a encontramos apenas nas suas próprias coreografias, mas é também visível quando LAMERS actua como bailarino em projectos de outros artistas. Por isso, os trabalhos de LAMERS encontram pontos de partida e de referência na arquitectura ou no cinema, como é possível ver na sua trilogia "Tokonoma", que decorreu entre 2007-2009. Também explora a intersecção entre a dança e o teatro como, por exemplo, enquanto performer na produção de "Appropriation. Parasiten. Krapp's Last Tape" de Sebastian Blasius, notavelmente realizada em 2009.
Visto geralmente em colaboração com outros artistas, LAMERS manifesta, não só uma admirável disponibilidade para este trabalho em equipa, mas também um especial interesse em se entregar a novos domínios e, desta maneira, possibilitar a abertura de caminhos originais para a sua pesquisa coreográfica. O trabalho a solo partindo de um texto é uma parte essencial da sua pesquisa, a par de outros campos, como, por exemplo, instalações baseadas em workshops, análise e questionamento de formas de reconstrução e de representação, interesse no trabalho com o corpo e com a espiritualidade.
Assim, o trabalho de LAMERS testemunha um interesse profundo nos domínios da coreografia e da dança em que o corpo atravessa os limites de um só género de arte, entrando num movimento convergente, compreendendo, desta maneira, a dança como uma investigação em formas diferentes de representação e de apreensão do mundo, em vez de a reduzir a uma forma específica ou a uma simples definição". (Fundamentação do júri. Texto retirado de Newsletter de DGARTES de Ministério da Cultura nº 12 / 9-22 Junho 2010)
terça-feira, 29 de março de 2011
Desenho em Movimento como UM ACTO PERFORMATIVO, no registo do espectáculo "O NARIZ" de Nikolay Gogol
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SOBRE O CARTAZ E O REGISTO DOS ENSAIOS EM DESENHO CEGO COMO UM ACTO PERFORMATIVO por Júlia Machado “Se não és suficientemente hábil para fazeres um esquisso de um homem que se atira de uma janela, no espaço de tempo que ele leva a cair do 4º andar, nunca poderás produzir grandes obras” (Delacroix, 1798-1863) A partir desta frase de Delacroix, foram ensaiados alguns projectos de representação do movimento através do desenho cego no âmbito de um Mestrado em Desenho e Técnicas de Impressão na FBAUP. Encontra-se aqui um território infinito de actuação, onde a percepção do movimento é transferida para o papel como se de um jogo se tratasse, num exercício de atenção e devaneio, próximo do “jazz” do desenho.O registo dos ensaios de “O Nariz de Gogol”, em desenho cego, não deixa de ser um acto performativo, experiência única e irrepetível como a representação teatral
Um olhar Rebelde para "O NARIZ" de Nikolay Gogol
SOBRE “UM OLHAR” E UM OUTRO REGISTO DOS ENSAIOS COMO UM ACTO REBELDE (ALIÁS, A FOTOGRAFÍA) por Jerónimo Lomba 27.02 2011 ENSAIO ABERTO PARA O PÚBLICO - CAFÉ DO TEATRO SÁ DE MIRANDA- VIANA DO CASTELO “Olhar o teatro através da objectiva em contraponto Fotografia de cena”. Ao fotografar teatro, não tenho por objectivo uma captação fiel do que acontece, antes o que me é sugerido em determinados momentos da peça. Interessa-me sobretudo o jogo luz/cor/sombra, no movimento e nas expressões dos actores. Os sentimentos/sensações transmitidos por estas e pelas máscaras/marionetas. Os posicionamentos no espaço cénico e as interacções personagens/objectos, daí resultantes.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
"O NARIZ" de Nikolay Gogol
O NARIZ
Saiba vossa excelência – disse Kovalev com dignidade -, que não sei como interpretar as suas palavras...Parece-me que o assunto é absolutamente claro..(...) É que o senhor é o meu próprio nariz!
“O Nariz”de Gogol provoca simultaneamente com o riso, uma estranheza que abandona toda a lógica da razão narrativa. Desloca as personagens no espaço e no tempo e situa-os naquilo que logo desde início ele revela como um facto “extraordinariamente estranho”, ou seja, um barbeiro que perdera o apelido, ao acordar dirige-se à sua mulher Praskovia Ossipovna e pede-lhe pão e cebola para o pequeno-almoço. Cortado no pão descobre algo desconcertante: nada mais, nada menos que...um nariz! “Só o diabo sabe como é que isso aconteceu!”, justifica inúmeras vezes ao longo do texto o barbeiro, Ivan Yakovlevitch, aludindo a uma das entidades recorrentes na atmosfera espiritual pré romântica das proximidades do século XIX: o diabo. Isto tudo é um pouco antes da criação de “Fausto” por Goethe.
A estrutura do texto, “O Nariz” dirige-se ao leitor, ora como um possível narrador oculto, ora naquilo que revela-se através de um “eu” e que se redime por vezes, pois sente-se “um tanto culpado por não ter falado até agora sobre Ivan Yakovlevitch...” Cria assim fracturas e divagações no tempo narrativo, ao exemplo de quando interrompe a trama e justifica que “aqui o acontecimento fica completamente encoberto por uma névoa e não se sabe absolutamente nada do que se passou depois...”
A personagem principal um assessor de colégio de Cáucaso ou como gostava de ser nominado, o major Kovalev, acorda e descobre que seu nariz desapareceu e sai à rua na tentativa de o encontrar. Descobre-o, -seu próprio nariz- a passear “num uniforme bordado em ouro, com uma gola alta, calças de camurça e uma espada ao lado” O major conversa indignado com seu imponente e importante nariz e este nega sequer conhecê-lo.
Gogol satírico, político e ácido critica um moral de demónios num estado russo contaminado pela burocracia. Na sua obra a criatura mais comum é capaz da atitude mais diabólica. São assessores, majores, inspectores ou funcionários públicos que encarnam os papéis mais grotescos e cruéis.
Gogol retrata uma sociedade extremamente burocrática, dividida em classes, onde o dinheiro e o poder têm um papel preponderante. Kovalev que insiste em ser tratado por Major, espera ganhar uma maior importância e relevância social. Encontra-se em São Petersburgo para ter uma colocação num cargo que seja equivalente à sua posição.
Ao perder o nariz, e apesar de se encontrar de boa saúde, Kovalev deixa de poder funcionar em sociedade. A forma como o outro o vê e o olha é algo que o atormenta durante todos os seus momentos. Assim, é revelado um mundo que impossibilita a ascensão de um ser imperfeito e que dá importância ao visual, à aparência e ao físico.
A disfuncionalidade da sociedade é realçada quando Kovalev parte em busca do seu nariz. Ao encontrá-lo disfarçado de Conselheiro de Estado, fica sem saber o que fazer e como abordá-lo, uma vez que se encontra numa posição superior. A postura servil e o nervosismo imediatamente apoderam Kovalev, mostram mais uma vez, a importância da aparência e da estrutura social.
O texto segue surpreendente e divertido até o inesperado e inusitado final.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
NIKOLAY GOGOL
NIKOLAY VASILYEVITCH GOGOL (1809-1852)
Grande romancista russo, dramaturgo fundador do chamado realismo crítico e como um expositor do grotesco na natureza humana, Gogol poderia ser chamado de Hieronymus Bosch da literatura russa. Entre as suas obras podemos lembrar “Almas Mortas, O Inspector-geral, Diário de Um Louco, Contos de S. Petersburgo e O Capote”.
Nikolay Gogol inspirou a literatura russa do século XIX com sua atitude revolucionária e produziu com sua prosa realista e fantástica, verdadeiras caricaturas satíricas, bizarras e burlescas daquele país em sua época. Seus heróis são paródias deformadas da corrupção social e política - sua alma de humor aliada à uma fina ironia criaram com habilidade genial, um estilo único e inigualável.
“ É que a Lua costuma ser fabricada em Hamburgo, e por sinal é de péssima qualidade. Espanta-me que Inglaterra não dê importância a esse facto. É feita por um tanoeiro coxo, e nota-se que o imbecil não percebe nada de Lua. Usou cordas alcatroadas e uma quantidade de azeite reles, daí que a Terra esteja impregnada de um fedor que nos obriga a tapar o nariz. Por isso, a própria Lua é uma esfera tão delicada que as pessoas não podem viver nela, de modo que hoje só lá moram narizes.” (de Diário de Um Louco, 1835."
Nascido em território ucraniano, filho de pai Cossaco e mãe Polaca, começa escrever em S.Petersburgo. Em pleno desequlibrio emocional, foge e viaja pela Europa. Entre 1836-1848 vive na Alemanha, Suiça, França, assentando em Roma. A sua intenção não é outra senão a de denunciar os vícios e os abusos que se encontram no interior da alma humana.
A morte de Puchkin no ano de 1837, em um desinteressante duelo, abala profundamente Gogol. «Agora tenho a obrigação de concluir a obra cuja ideia fora do meu amigo». Referia-se, naturalmente, ao alentado texto de Almas Mortas.
Tenta publicar a obra em Moscovo em 1841, mas o Comité Moscovita de Censura recusa. Não é senão após uma intervenção dos amigos do autor que o livro é publicado, em 1842. O romance é uma descrição em detalhe das preocupações do homem russo em uma Rússia profunda; uma sátira, às vezes impiedosa, que porém guarda subjacente o profundo e natural amor de Gogol pelo país.
As tribulações recomeçam: Itália, França, Alemanha. Em 1848, faz uma peregrinação em Jerusalém. Gogol torna-se cada vez mais místico, impelido em ir buscar, pelo sentimento religioso, a salvação da alma. A sua saúde vai-se degradando, acompanhando com um misticismo doente e cai numa profunda depressão. Gogol sente-se incompreendido, irritado tanto por aqueles que o apoiam quanto por aqueles que o criticam, pois todos simplificam e deturpam seu pensamento profundo.
De volta a Moscovo, redige a segunda parte de Almas Mortas. Mas o seu estado físico se degrada incessantemente, à mercê desse sonho que o acompanha desde jovem: mesmo em homem absolutamente sadio e regrado, a sua ânsia por uma nova ordem das coisas martiriza-o. No início de Fevereiro de 1852, num momento de delírio, segundo dizem, ele queima na lareira do seu quarto todos os manuscritos inéditos - inclusive o fim da segunda parte de Almas Mortas. A 21 de Fevereiro de 1852 Nicolau Vasilievitch Gogol morre. Está enterrado no cemitério de Novodevitchi, em Moscovo.
Grande romancista russo, dramaturgo fundador do chamado realismo crítico e como um expositor do grotesco na natureza humana, Gogol poderia ser chamado de Hieronymus Bosch da literatura russa. Entre as suas obras podemos lembrar “Almas Mortas, O Inspector-geral, Diário de Um Louco, Contos de S. Petersburgo e O Capote”.
Nikolay Gogol inspirou a literatura russa do século XIX com sua atitude revolucionária e produziu com sua prosa realista e fantástica, verdadeiras caricaturas satíricas, bizarras e burlescas daquele país em sua época. Seus heróis são paródias deformadas da corrupção social e política - sua alma de humor aliada à uma fina ironia criaram com habilidade genial, um estilo único e inigualável.
“ É que a Lua costuma ser fabricada em Hamburgo, e por sinal é de péssima qualidade. Espanta-me que Inglaterra não dê importância a esse facto. É feita por um tanoeiro coxo, e nota-se que o imbecil não percebe nada de Lua. Usou cordas alcatroadas e uma quantidade de azeite reles, daí que a Terra esteja impregnada de um fedor que nos obriga a tapar o nariz. Por isso, a própria Lua é uma esfera tão delicada que as pessoas não podem viver nela, de modo que hoje só lá moram narizes.” (de Diário de Um Louco, 1835."
Nascido em território ucraniano, filho de pai Cossaco e mãe Polaca, começa escrever em S.Petersburgo. Em pleno desequlibrio emocional, foge e viaja pela Europa. Entre 1836-1848 vive na Alemanha, Suiça, França, assentando em Roma. A sua intenção não é outra senão a de denunciar os vícios e os abusos que se encontram no interior da alma humana.
A morte de Puchkin no ano de 1837, em um desinteressante duelo, abala profundamente Gogol. «Agora tenho a obrigação de concluir a obra cuja ideia fora do meu amigo». Referia-se, naturalmente, ao alentado texto de Almas Mortas.
Tenta publicar a obra em Moscovo em 1841, mas o Comité Moscovita de Censura recusa. Não é senão após uma intervenção dos amigos do autor que o livro é publicado, em 1842. O romance é uma descrição em detalhe das preocupações do homem russo em uma Rússia profunda; uma sátira, às vezes impiedosa, que porém guarda subjacente o profundo e natural amor de Gogol pelo país.
As tribulações recomeçam: Itália, França, Alemanha. Em 1848, faz uma peregrinação em Jerusalém. Gogol torna-se cada vez mais místico, impelido em ir buscar, pelo sentimento religioso, a salvação da alma. A sua saúde vai-se degradando, acompanhando com um misticismo doente e cai numa profunda depressão. Gogol sente-se incompreendido, irritado tanto por aqueles que o apoiam quanto por aqueles que o criticam, pois todos simplificam e deturpam seu pensamento profundo.
De volta a Moscovo, redige a segunda parte de Almas Mortas. Mas o seu estado físico se degrada incessantemente, à mercê desse sonho que o acompanha desde jovem: mesmo em homem absolutamente sadio e regrado, a sua ânsia por uma nova ordem das coisas martiriza-o. No início de Fevereiro de 1852, num momento de delírio, segundo dizem, ele queima na lareira do seu quarto todos os manuscritos inéditos - inclusive o fim da segunda parte de Almas Mortas. A 21 de Fevereiro de 1852 Nicolau Vasilievitch Gogol morre. Está enterrado no cemitério de Novodevitchi, em Moscovo.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
O NARIZ DE NIKOLAY GOGOL
ENSAIO ABERTO AO PÚBLICO 27 DE FEVEREIRO, 17HORAS, CAFÉ DO TEATRO
Reservas: 963676174
O espectáculo foi encomendado e apoiado pelo Município de Viana do Castelo para ser estreado na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, no âmbito do programa "Contorno das Palavras", em Abril de 2011. A falta de condições cénicas e a falta de espaço fez com que surgisse este "Espectáculo à Medida". Foi um desafio. Assim, de repente, descobrimos que o trabalho era muito interessante quando as fronteiras se apertavam, quando cada gesto ganhava mais peso no limite dos limites, e cada palavra pronunciada saia directamente da alma como uma bala.
O espectáculo foi encomendado e apoiado pelo Município de Viana do Castelo para ser estreado na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, no âmbito do programa "Contorno das Palavras", em Abril de 2011. A falta de condições cénicas e a falta de espaço fez com que surgisse este "Espectáculo à Medida". Foi um desafio. Assim, de repente, descobrimos que o trabalho era muito interessante quando as fronteiras se apertavam, quando cada gesto ganhava mais peso no limite dos limites, e cada palavra pronunciada saia directamente da alma como uma bala.
O espectáculo é concebido com influências estéticas do Teatro de Máscaras, Teatro de Marionetas e Teatro Físico. O universo gogoliano, non-sense e Realismo Fantástico russo são os pontos de partida. Continuamos a nossa procura e investigamos as novas linguagens de teatro, que fossem acessíveis para o universo infantil também. Não é um espectáculo para crianças. É um espectáculo, PARA AS CRIANÇAS TAMBÉM.
O espectáculo não conta a história de um nariz que…. É um espectáculo não narrativo, não ilustrativo, não descritivo, não psicológico, não lógico e não naturalista. Não apresenta no palco um conto de Gogol, mas é sobre um conto do Gogol, sobre “O Nariz”. É para ver, para ouvir, para sentir com cinco sentidos e ainda mais um. Não é para pensar nele. Não contém as lições de moral e não tem nenhuma utilidade. No dizer de poeta: O Mundo não se fez para pensarmos nele/ (Pensar é estar doente dos olhos) /Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... Alberto Caeiro in "O Guardador de Rebanhos - Poema II"
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
MESTRADO EM ACTOR-MARIONETISTA /UNIVERSIDADE DE ÉVORA
O Mestrado em Teatro da Universidade de Évora abrirá a sua nova edição(2010-2012) no 2º semestre do corrente ano lectivo (2010-2011). Recordamos que o Curso oferece 4 ramos de especialização, estando garantido já a abertura e funcionamento dos Ramos em Arte do Actor; Actor-Marionetista; Dramaturgia/Encenação.
Além dos docentes envolvidos no Curso, membros do Departamento de Artes Cénicas e convidados, convidou o artista Igor Gandra (Teatro de Ferro) que assegurará a leccionação da unidade curricular nuclear da formação concebida como Laboratório Teatral / Projecto.
As aulas terão lugar entre Fevereiro e Junho/Julho de 2011, num horário que será organizado de acordo com a disponibilidade dos mestrandos, privilegiando uma organização em períodos com carácter intensivo para as unidades curriculares de natureza prática.
As vagas ainda disponíveis serão candidatadas entre 14 e 21 de Janeiro de2011.
Recordamos que o Curso permite aos interessados beneficiarem do programa Vale a Pena Ser Mestre (para licenciados com 4 ou 5 anos de estudos).
A Directora do Curso Christine Zurbach
Professora Associada c/agreg.Departamento de Artes Cénicas
Contacto: zurbach@uevora.pt
Além dos docentes envolvidos no Curso, membros do Departamento de Artes Cénicas e convidados, convidou o artista Igor Gandra (Teatro de Ferro) que assegurará a leccionação da unidade curricular nuclear da formação concebida como Laboratório Teatral / Projecto.
As aulas terão lugar entre Fevereiro e Junho/Julho de 2011, num horário que será organizado de acordo com a disponibilidade dos mestrandos, privilegiando uma organização em períodos com carácter intensivo para as unidades curriculares de natureza prática.
As vagas ainda disponíveis serão candidatadas entre 14 e 21 de Janeiro de2011.
Recordamos que o Curso permite aos interessados beneficiarem do programa Vale a Pena Ser Mestre (para licenciados com 4 ou 5 anos de estudos).
A Directora do Curso Christine Zurbach
Professora Associada c/agreg.Departamento de Artes Cénicas
Contacto: zurbach@uevora.pt
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